História

Dados e Fatos Sobre o Município de Lima Duarte Síntese Histórica de Lima Duarte Antigo povoado, posteriormente Vila do Rio do Peixe, situada em terras e águas auríferas da Comarca do Rio das Mortes, seu desbravamento foi trabalho dos audazes paulistas em busca dos metais preciosos e das gemas. O povoamento de Lima Duarte é um dos mais antigos de Minas Gerais, existem referências que datam de 1862, com a “Bandeira” do Padre João de Faria Filho, que também visitou Conceição de Ibitipoca. Desses descobrimentos, Bento Corrêa de Souza Coutinho deu notícia ao Governador Geral do Brasil, na Bahia, Dom João de Lencastre, através de carta de 29 de julho de 1694. O encontro do ouro fez com que numerosos paulistas se deslocassem para as minas, trilhando a rota de Fernão Dias Paes, que passou a ser conhecida pela denominação de “Caminho Velho” após a abertura do “Caminho Novo” do Rio de Janeiro. Iniciou-se, então, o povoamento das Minas de São Paulo ou Minas dos Cataguás. O povoado de Dores do Rio do Peixe começou a surgir em torno da extração do ouro, que pouco se desenvolveu devido à interdição, em 1755, decretada pelo Governador de Minas Gerais, José Antônio Freire de Andrade que mandou fechar todo o sertão da Mantiqueira Sul que incluia terras banhadas pelos Rios do Peixe, Pirapitinga, Paraibuna e Preto. Com o intento de dilatar cada vez mais os seus domínios até o Paraibuna, possuindo da maior extensão possível de terras de cultura e mineração, o fazendeiro da Borda do Campo, o Coronel Manoel Lopes de Oliveira, denunciou o desvio do ouro, ocorrido por veredas secretas abertas naqueles sertões até o Sul, na fronteira da Capitania do Rio de Janeiro. A situação continuou inalterada até 20 de fevereiro de 1780, quando o Capitão General Dom Rodrigo José de Menezes, Governador de Minas Gerais, inteirado das descobertas no Rio do Peixe mandou fiscalizar a região e ordenou a elaboração de um relatório, o qual se encontra registrado no Arquivo Público Mineiro. De posse das informações, Dom Rodrigo, em 1781, deixou a Capital Vila Rica e chegou a Dores do Rio do Peixe, onde foi recebido pela população que deixou suas tarefas cotidianas de mineração, agricultura e a pecuária. Formou-se um autêntico arraial ou acampamento. Tornando público sua intenção de fazer concessões de terras, despachou o Capitão General mais 800 requerimentos, legalizando a situação daquela gente. Deteve-se durante 4 dias na região e posteriormente continuou concedendo sesmarias aos posseiros. Segundo o historiador Diogo de Vasconcelos, o povoamento do Rio do Peixe foi um dos mais regulares de Minas. Mas o apogeu do ouro, que trouxe as primeiras fortunas, não teve duração considerável, esgotada que já se encontravam quase todas as reservas auríferas. Três ou quatro décadas depois, já a população dedica-se à pecuária, criando grandes rebanhos e à lavoura do café e da cana-de-açúcar, origem de muitos engenhos, atividade econômica que perdurou até os fins do século passado. Desde o início de seu povoamento, pertenceu o território do Município de Lima Duarte à vasta e fabulosa Comarca do Rio das Mortes com sede na Vila de São João Del Rei. A partir de 1721, ficou o Distrito do Rio do Peixe integrado no termo de Barbacena até quase 100 anos depois ao fazer-se independente. Nessa época a autoridade era exercida pelos capitães-mores que acumulavam funções de juiz de paz e delegado de polícia. A povoação do Rio do Peixe, em 1781, já se fazia notar na vida pública da Capitania; nesse ano vamos encontrar talvez o seu primeiro mestre-escola, o português José Ignácio de Siqueira, implicado na Inconfidência Mineira. Na década seguinte encontram-se nos livros de Acórdãos da Câmara de Barbacena, nomeações anuais de vários capitães-mores para o “Distrito do Rio do Peixe”. Nos primórdios a região foi habitada pelos índios Araris (Serra de Ibitipoca), os Cachines (Vale do Rio do Peixe), os Pitas (mais ao Sul). Ainda haviam os ferozes coroados Puris. Tribos que foram dizimadas antes do final do século XVIII. Data dessa época a construção da primeira capela dedicada a Nossa Senhora das Dores, no alto onde se ergue hoje a Matriz. Já estava definida então a vida social e econômica do povoado, suas principais famílias, suas atividades e localizações. Com a criação do Distrito de Paz, em 1839, integrou-se o Rio do Peixe nas normas administrativas do Império, fazendo-se representar inclusive no corpo de jurados de Barbacena. Vivia o país no período das Regências e início do Segundo Império, uma época de profundas agitações políticas que refletiu, sobretudo em Minas Gerais. Tais reflexos contaram com a População do Rio do Peixe, como o Cônego Manoel Rodrigues da Costa, limaduartino e na época morador de Barbacena, que havia participado na Conjuração Mineira e abraçou também a causa liberal em 1842. O Rio do Peixe foi também quartel da unidade de Guarda Nacional, que atuou internamente na Revolução Liberal de 1842 ou Guerra Santa Luzia, contribuindo em certo ponto como uma das peças de maior importância para a manutenção e segurança das forças revolutosas centrais, localizadas em Barbacena, São João Del Rei, Sabará, Caeté e Santa Luzia. Esteve aquartelado no Rio do Peixe o comandante das tropas imperiais Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias que no final do mês de julho de 1842 reuniu junto ao Rio do Peixe (Povoado de Manejo), companhias e partiu para São João Del Rei. Em 1839, o Rio do Peixe é elevado a sede de Distrito de Paz. Em 27 de junho de 1859, era assinada a Lei que concedeu a almejado título de Freguesia (equivalente à paróquia) ao Rio do Peixe. Em 1881 era discutido na Assembléia Providencial o projeto que criava o Município do Rio do Peixe e elevada conseguintemente, esta povoação à categoria de Vila, anexando-lhes as freguesias de Conceição de Ibitipoca e Santo Antonio de Olaria. Aprovada a Lei em 3 de outubro de 1881 sob nº 2.804 no Governo do Senador João Florentino Meira de Vasconcelos, ficou desmembrada do Município de Barbacena. A instalação do Município, segundo o Padre Corrêa de Almeida, em suas Memórias Históricas de Barbacena em 1883, demorou porque se aguardava a conclusão da Casa da Câmara e Cadeia e Escola de Primeiras Letras, exigências que a Província impunha para a instalação de novas comunas. Mas nas aras de Câmara de Barbacena encontramos severas representações da Presidência da Província junto àquela corporação, no sentido de que a eleição do legislativo do novo município e sua instalação. Esta só se deu mais tarde, no dia 29 de dezembro do ano de 1884, na Vila do Rio do Peixe que na presente data foi elevada à categoria de cidade com o nome de Lima Duarte. Esta denominação ocorreu em homenagem ao Dr. José Rodrigues de Lima Duarte, Conselheiro do Estado de grande influência política em Barbacena, cuja administração achava-se sob a presidência de seu cunhado Dr. Antonio Carlos Ribeiro de Andrada. Conta o município atualmente com 4 distritos: Lima Duarte (distrito-sede), Conceição de Ibitipoca, São Domingos da Bocaina e São José dos Lopes. Os povoados são os de Orvalho, Manejo, Pirapetinga, Mogol, Rancharia, Monte Verde, Palmital, Souza, Retiro do Meio, Pinheiros, Perobas, Capitães, Capoeirão, Várzea do Brumado e Laranjeiras. Temos na agropecuária a principal atividade econômica, mas com olhos voltados para o turismo, devido as nossas montanhas, cachoeiras, grutas, monumentos históricos e a mais tradicional culinária mineira. Texto elaborado pelo Prof. Márcio Ulisses Paiva Saiba Mais: